“Comendo no mesmo prato”: sobreposição de nicho trófico de duas espécies de peixes em riachos da bacia do alto rio Tocantins

Autores

  • Dianne Michelle Alves da Silva Instituto de Ciências Biológicas (IB), Departamento de Ecologia, Universidade de Brasília (UnB)
  • Wadama Fernanda de Souza Oliveira Universidade Estadual de Goiás (UEG)
  • Jaqueline Pereira dos Santos Universidade Estadual de Goiás (UEG)
  • Fagner Junior Machado de Oliveira Universidade Estadual de Maringá

DOI:

https://doi.org/10.17648/heringeriana.v13i2.917889

Palavras-chave:

Estrutura trófica, particionamento de nicho, peixes de riacho

Resumo

Espécies próximas filogeneticamente usam recursos similares e podem ser potenciais competidores. Porém, para minimizar a competição interespecífica, as espécies podem apresentar estratégias de divisão de recursos no espaço (entre habitats diferentes), no tipo de alimento consumido e no tempo (diferenças no período de atividade). Essas diferenças podem ser determinantes para a coexistência das espécies. Neste trabalho descrevemos a dieta e investigamos a sobreposição de nicho trófico entre duas espécies de peixes de riachos em dois períodos hidrológicos da bacia do alto rio Tocantins. Descrevemos a dieta das espécies a partir da análise do conteúdo estomacal e a preferência alimentar foi determinada pelo Índice de Importância Alimentar (IAi) para as duas espécies. Knodus aff. chapadae e Hyphessobrycon heterorhabdus preferem consumir invertebrados terrestres e aquáticos durante os dois períodos hidrológicos, embora consumam outros tipos de alimentos de origem vegetal ou animal. As duas espécies possuem uma alta sobreposição de nicho trófico, logo são potenciais competidoras por alimentos. Esses resultados indicam que a coexistência entre esses pequenos caracídeos é mediada por divergência em outras dimensões do nicho e não por diferenças na dieta. Como essas duas espécies possuem uma morfologia semelhante e são filogeneticamente próximas, acredita-se que haja entre elas certa segregação espaço-temporal, permitindo sua coexistência. Ao longo do tempo a coexistência entre essas duas espécies pode ser mantida por divergência na utilização de recursos ou pode haver a extinção local de uma das espécies por exclusão competitiva.

Biografia do Autor

Dianne Michelle Alves da Silva, Instituto de Ciências Biológicas (IB), Departamento de Ecologia, Universidade de Brasília (UnB)

Doutoranda em Ecologia pela Universidade de Brasília (UnB), mestre em Recursos Naturais do Cerrado (UEG, Anápolis (2016)). Possui graduação em Ciências Biológicas (Licenciatura) pela UEG, Porangatu-GO (2013). Docente (quadro temporário) na Universidade Estadual de Goiás ministrando disciplinas de Ecologia, Genética e Evolução. Tem experiência em estudos sobre ecomorfologia e diversidade funcional de comunidades de peixes. Atualmente desenvolve pesquisas com ênfase nos processos ecológicos em zonas ripárias e redes tróficas de peixes.

Wadama Fernanda de Souza Oliveira, Universidade Estadual de Goiás (UEG)

Graduada em Ciências BiológicasDepartamento: BiologiaÁrea:Limnologia 

Jaqueline Pereira dos Santos, Universidade Estadual de Goiás (UEG)

Graduada em Ciências BiológicasDepartamento: BiologiaÁrea:Limnologia

Fagner Junior Machado de Oliveira, Universidade Estadual de Maringá

Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Goiás (2013), mestrado em Ecologia e Conservação pela Universidade do Estado do Mato Grosso (2016). Atualmente doutorando no Programa de Pós-Graduação em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais pela Universidade Estadual de Maringá.

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Publicado

2019-12-30

Como Citar

Silva, D. M. A. da, Oliveira, W. F. de S., Santos, J. P. dos, & Oliveira, F. J. M. de. (2019). “Comendo no mesmo prato”: sobreposição de nicho trófico de duas espécies de peixes em riachos da bacia do alto rio Tocantins. Heringeriana, 13(2), 29-39. https://doi.org/10.17648/heringeriana.v13i2.917889

Edição

Seção

Artigos Originais